quarta-feira, agosto 14, 2013

Pinot Noir. Sim, não é um vinho normal. E depois?


Apesar de gostar muito das castas Alicante Bouschet, Merlot ou Syrah nos tintos, isso não impede que goste de outras que se situam em gamas de aromas e sabores completamente distintas e, por vezes, “fora do baralho”. Castas como a Alfrocheiro (a sul) e a Pinot Noir (a norte). Falemos então desta última.

A Pinot Noir tem uma gama de aromas, sabores, texturas e sensações que pode embaralhar uma pessoa toda (principalmente as que só estão habituadas a vinhos “normais”). O vinho tende a não ser encorpado e com um aroma que remete para as cerejas e frutos silvestres mais para o escuro. O vinho tem uma cor granada, sendo mais claro que outros tintos (ele há gente abrutalhada que vê isso como um defeito); isto é natural e não uma falha de vinificação, uma vez que a Pinot Noir tem menos antocianina (matéria corante) que a maioria das outras variedades. No entanto, estão a ser feitos vinhos no Chile e Nova Zelândia mais potentes e escuros que se aproximam dos Syrah em profundidade e teor alcoólico.

Obviamente, recomendo.

terça-feira, junho 11, 2013

Chrysta Bell



A Chrysta Bell é muito mais que uma carinha (e um corpo, já agora) laroca. É sempre tão bom quando se percebe que a voz do disco é a mesma do palco, sem recurso a auto tunes e demais artifícios; perceber que estamos perante uma grande voz. Outro aspecto a salientar, e que lhe é igualmente natural, é a sua sensualidade em palco; sem precisar das coreografias circenses nem das poses manhosas do alegadamente “sexy” que a malta do R&B tanto gosta. Não é por acaso que está a colaborar com o David Lynch, ou que este faz música especialmente para ela: a Chrysta Bell poderia muito bem ser uma personagem de um dos seus filmes.

Outra coisa boa foi o facto da alegada “comunidade indie” ter preferido os arraiais de música duvidosa, sangria com vinho do Minipreço e sardinhas a preço de cherne. Haverá coisa mais “mainstream” – que eles tanto detestam – do que isso? Conseguimos bilhete facilmente e havia espaço na sala.

O concerto de domingo passado no Musicbox foi uma sucessão de momentos de rara beleza, poucas vezes se sente música assim. O álbum “This Train” é das melhores coisas deste século e este concerto não ficou atrás.

segunda-feira, junho 03, 2013

Dragões

Foto: Maria João T
O meu borreguito diz que gostava de ter pele de dragão. Conheço muitos dragões que trocavam de pele com ele sem sequer pensar três vezes.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Django Unchained #1



Um western brilhante e brutal, como uma vingança deve ser: uma aventura das antigas em grande forma e estilo num cenário de plantação de escravos, em 1858. O filme e realizado com a soberba provocação e audácia de Quentin Tarantino, com chicotadas de crueldade, a arrogância de quem sabe muito bem o que faz e o total desprezo em relação às mentes formatadas pelo politicamente correcto. Soberbamente interpretado por Christoph Waltz, Jamie Foxx (uma dupla como há muito não se via. Pulp Fiction?), e Samuel L Jackson, na pele de um sinistro personagem chamado Stephen.


segunda-feira, novembro 19, 2012

Pedro e o Lobo. Mau?



Há não muito tempo disse-me alguém que era o seu restaurante favorito, o mais fashion, o mais “glamouroso”, que iria promover a paz mundial e o arrefecimento global e que era uma falha enorme eu nunca lá ter ido. Pronto, fui lá este sábado.

Pedro e o Lobo, o restaurante com dois chefs imberbes e alegadamente talentosos. Confesso que estava curioso. A sala de refeições é bonita e bem mobilada, apesar do excesso de luz artificial. A refeição? Consegue-se bem melhor pelo mesmo preço (Alma) ou mais baratos (Cantinho do Avillez, Tasca da Esquina, Ibo, Salsa e Coentros,…). As navalhas com pera e rabano eram de uma mediocridade confrangedora; os peixes (robalo, salmonete e bacalhau) apenas impressionaram pelo tamanho diminuto da dose; a carta de vinhos é curta e altamente inflacionada (nenhum tinto abaixo dos 22€). Uma pessoa não pode deixar de se sentir enganada.

Pedro e o Lobo. Mau? Não exageremos, digamos antes medíocre. É daqueles restaurante de moda, com imenso cachet e armado em gourmet. E é um restaurante a que não voltarei. Foi uma perda de dinheiro para toda a gente, incluindo para o próprio restaurante.

segunda-feira, setembro 03, 2012

Oslo, August 31st


Muito bom este filme: um actor extraordinário (Anders Danielsen Lie), fantástica a adaptação de um romance dos anos 30, excelente fotografia e realização (Joachim Trier). Sim, é sobre um toxicodependente; sim, é forte e triste; não, não acaba bem. E depois? A vida não é um sonho, se as pessoas se querem continuar a enganar-se, a tapar os olhos, a viver a vida como se estivessem entre o Canal Panda e o Sexo e a Cidade, então escusam de ir ver este filme. A opção é delas, mas nunca a minha.

sexta-feira, julho 06, 2012

Este Belcanto do Avillez



Agradeço desde já ao meu querido cunhado o convite para este fantástico jantar no Belcanto, o restaurante de José Avillez. “Não custa nada.” Claro que custa chef, não se atinge este nível para além da atmosfera assim por acaso.
Este é daqueles raros sítios em que há uma relação emotiva com as iguarias, e um chef que merece bem a reputação. O espaço é sóbrio, acolhedor, de um subtil e discreto bom gosto, além de revelar um enorme respeito pela história do local. Vamos então à refeição. Depois de uma excelente série de pequenas entradas para animar a boca, comi uma cavala marinada e braseada e, como prato principal, um salmonete com molho dos fígados e ovas vegetais. Terminou-se com uma sobremesa chamada Tangerina, com o citrino em diversas texturas e temperaturas. Tudo nada menos do que soberbo.
É óbvio que este nível de cozinha tem o seu preço e não será para todas as bolsas. Não o aconselho a quem não dê o devido valor ao que come ou que o faça apenas para encher o bandulho. É um mimo que me posso permitir oferecer (vá lá) uma vez por ano, mas isso sou eu e as minhas prioridades. Na realidade não se trata de comida óptima ou de um bom restaurante, é uma experiência que emociona.

quarta-feira, junho 27, 2012

As Furnas do Guincho


As Furnas do Guincho continuam a ser um dos restaurantes onde se come o melhor peixe do país (do mundo?). Isto para além de um óptimo serviço, informal e atencioso; e de uma decoração de muito bom gosto e a tirar partido da excelente localização bem perto do mar.

Abriram-se as hostilidades com umas belas ostras do Algarve, enquanto se esperava pelo momento alto do jantar: um majestoso robalo ao sal, arranjado e servido com mestria, que serviu de repasto à meia-duzia de convivas. Seguramente, um dos melhores peixes de sempre.

É caro? Para quem não souber apreciar devidamente a excelência de um peixe fresco, claro que sim. Obviamente, recomendo

terça-feira, junho 19, 2012

The morning after

"The morning after", Izumi Ueda Yuu
"Os meus olhos vêem, a minha mão toca; mas estas expressões ingénuas não traduzem a verdadeira experiência."

As marcas da instalação da Izumi Ueda Yuu. A resistência, a regeneração através do fogo. // The spot marks the footprints, the morning after Izumi's instalation. The resistance, the fire regeneration.

terça-feira, maio 29, 2012

Umai - A Oriente tudo de novo


Os chefs Paulo Morais e Anna Lins inspiram-se a Oriente, e muito bem por sinal. Depois de ter estado em Singapura e em Bangkok, é tão bom saber que posso encontrar o mesmo tipo de aromas e sabores por cá.

Entre os meus favoritos, destaco: o bacalhau fresco, beringela com molho miso, cogumelos grelhados, siu mai, gyosa e o sushi/sashimi. Um destaque especial para o usuzukuri com que gosto de terminar a refeição; uma espécie de carpaccio japonês sobre uma cama de gelo em que peixes como o lírio (um açoreano sazonal), "boca negra" (mais próximo do sabor da lagosta) ou a dourada atingem um nível próximo do nirvana.

Sou cliente habitual e continuarei a sê-lo. Obviamente, recomendo.