Aconteceu mesmo.
O Simão ligou-me, era fim de tarde e através da janela do carro conseguia apreciar o afrouxar da cidade. Estava entusiasmado, falava alto num turbilhão de palavras coladas e inquietas, os seus gestos quase que se adivinhavam no meu lado do telefone.
“Nem imaginas o sonho que eu tive, e tu também estavas lá na varanda com grade de ferro e vista para o rio.”
Senti-me incomodada, algo naquelas palavras vagas gritava familiaridade, eu conhecia aquela janela com vista para o rio.
“Ouve Susana, foi tudo tão real, depois entraste em casa e eu fui atrás de ti, para dentro da casa, mas as divisões estavam todas ligadas, entravas por uma porta e saías por outra...”
Todas aqueles pormenores apelavam a memórias que julgava arrumadas na antecâmara do meu subconsciente, memórias de um sonho antigo reduzido a lágrimas salgadas.
Desligámos o telefone, parei o carro sem perceber onde estava, tinha de parar e sair, ansiava pelo ar fresco do fim de tarde, precisava de fugir a correr de dentro do sonho do Simão.
Saí do carro, olhei para cima, estava em frente a uma porta, mesmo colado à ombreira o número nove, desavergonhado, olhava para mim. Era a porta, que dava para a rua, da casa da varanda com vista para o rio, no último andar de um prédio antigo, com todas as divisões ligadas como se fosse uma casa circular.
Só faltou o cheiro a baunilha neste sonho roubado.
No fundo somos um blog de conversas de sofá, é o que nos apetece no momento. Cuidado para não entornar o copo de vinho tinto. Põe a música mais alta. Hummmmm, tiramisu...
sexta-feira, março 10, 2006
quinta-feira, março 09, 2006
Corpos celestes

Tê-la nos meus braços, beijar-lhe a pele onde o cabelo se converte em pelinhos sedosos. O perfume doce mistura-se com outro aroma, o meu; a sua mão que descansa em mim, e as pontas dos dedos que descem; rodar e enrolar, enredados em braços e pernas; descontrolados num espaço que se fragmenta e se dissolve.
http://www.sigur-ros.co.uk/media/
quarta-feira, março 08, 2006
Pequim

Agosto 2004
Fotografia da chegada a Pequim depois de quase 3 semanas de comboio desde São Petersburgo, perspectiva da porta da estação.
Lembrei-me desta fotografia porque fui ver “O Mundo”, o novo filme do Jia Zhang-Ke. Passa-se em Pequim, num parque temático sobre o mundo, com miniaturas dos monumentos mais emblemáticos das principais cidades mundiais.
Senti uma emoção entre a estranheza e a familiaridade quando mostraram a estação de comboios projectada na tela de cinema. Era a perspectiva de entrada, ele, forasteiro de passagem, ia apanhar o mesmo comboio que eu, mas eu cheguei e ele partiu. Eu encontrei uma cidade completamente nova à minha frente, um bafo de calor húmido e asfixiante, uma parafernália de barulhos irritantes e pessoas apressadas aos encontrões. Ele deixou uma cidade velha para trás, talvez um amor que provavelmente só teve importância no momento da partida.
É assim com a vida, quando somos confrontados com uma situação nova, a nossa atenção é absorvida pela novidade, pela agitação da curiosidade. Na partida, o nosso olhar é triste, fica sempre algo de nós para trás, pelo menos até subir os degraus de ferro da carruagem do comboio.
Não consigo ter uma opinião muito clara sobre o filme. Achei interessante no ponto de vista social e de encontro de culturas. Interessante apenas. Ficou a imagem da estação, um minuto em duas horas e um quarto de filme.
Casa-me espécie

O casamento entre espécies diferentes irá levar à legalização do incesto, poligamia, irmãs Lúcias e todo o tipo de outras horríveis consequências. Um exemplo clássico da falácia reductio ad absurdum, é suposto criar medo na mente de quem ouve este argumento. É, claro, desprovido que qualquer base experimental. Se o argumento fosse verdadeiro, não teria já acontecido em países onde o casamento inter-espécies já existe? A realidade é que este tipo de casamento já é legal há já uns anos em alguns países escandinavos, e nenhuma das terríveis consequências aconteceu. É uma clássica táctica de intimidação – tornando o cenário final tão assustador e tão horrível de modo a que o primeiro passo nunca seja dado.
segunda-feira, março 06, 2006
Finalmente
São as 15h, estão a chegar...
Já só faltam 4h...
para chegar a casa...
...
mais um segundo...
Já só faltam 4h...
para chegar a casa...
...
mais um segundo...
Estado de Espírito
Estou farta do frio
O meu coração pesa mais que 24 toneladas
Tenho saudades do livro que não consigo ler
Tenho medo do que pode estar na minha caixa de correio logo
Não me apetece comer
O dia parou entre as 14h10 e 14h40, nunca mais chegam as 19h
Tenho de ir à casa de banho. RÁPIDO...
O meu coração pesa mais que 24 toneladas
Tenho saudades do livro que não consigo ler
Tenho medo do que pode estar na minha caixa de correio logo
Não me apetece comer
O dia parou entre as 14h10 e 14h40, nunca mais chegam as 19h
Tenho de ir à casa de banho. RÁPIDO...
sexta-feira, março 03, 2006
Meds
quinta-feira, março 02, 2006
À Face
quarta-feira, março 01, 2006
Sobreviver – Fragmentos
Tenho Fome
Todas as pessoas sabem que as doenças surgem com os exames médicos
É o seu pai. Está a morrer
Acredito em tudo o que aprendi antes dos seis anos. Tudo o que me disseram a seguir é mentira
Tenho a cabeça descalça
Conta os dedos. Cinco dedos. Vês, tens a mão toda
Sou esquizofrénica
Sobrevivente
É impossível morrer com tanta fome
Não me esqueci
Há alguma igreja que ainda esteja aberta?
Engoli um prego. Tenho um prego na garganta.
Julgo que três milhões é um bom valor
Quem comete um erro é excluído; é fechado dentro de uma caixa. Quem está fora vê apenas a caixa. Mas quem está fechado, excluído, consegue ver cá para fora. Vê tudo. Vê-nos a todos
Tenho fome
Teatro S. Luiz – Gonçalo M. Tavares
Todas as pessoas sabem que as doenças surgem com os exames médicos
É o seu pai. Está a morrer
Acredito em tudo o que aprendi antes dos seis anos. Tudo o que me disseram a seguir é mentira
Tenho a cabeça descalça
Conta os dedos. Cinco dedos. Vês, tens a mão toda
Sou esquizofrénica
Sobrevivente
É impossível morrer com tanta fome
Não me esqueci
Há alguma igreja que ainda esteja aberta?
Engoli um prego. Tenho um prego na garganta.
Julgo que três milhões é um bom valor
Quem comete um erro é excluído; é fechado dentro de uma caixa. Quem está fora vê apenas a caixa. Mas quem está fechado, excluído, consegue ver cá para fora. Vê tudo. Vê-nos a todos
Tenho fome
Teatro S. Luiz – Gonçalo M. Tavares
Afinal os Vikings são frouxos

O Governo dinamarquês vai organizar, em Março, uma conferência para promover o diálogo religioso. Mas que diálogo sera possível com atrasados mentais que atacam embaixadas e ameaçam de morte todo um povo?
Será ainda financiado um festival islâmico na capital dinamarquesa… Se calhar o fogo de artifício vai ser feito segundo os preceitos islâmicos: colocando dinamarqueses numa catapulta, com um colete de bombas e um cronometro.
Mas está tudo doido?! Cambada de frouxos de merda! Já agora porque não se viram todos para Meca, de joelhos e rabinho bem espetado prontos a serem enrabados a sangue frio em nome do profeta?
Subscrever:
Mensagens (Atom)

